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Os Espartanos Eram Idiotas?

De um certo ponto de vista sim.

Impulsionadas pelo espetacular filme “300” e pelo livro “Portões de Fogo” (que passou até a ser considerado leitura de desenvolvimento pessoal), as proezas dos antigos Espartanos ganharam espaço no imaginário do guerreiro moderno.

Da próxima vez que você vir um cara de meia idade, barbudo, gordinho, vestido como o Rambo, cheio de patches, velcros, camisas e “equipamento de operador” enfeitados com insígnias do capacete espartano, pergunte-se: que mensagem ele realmente quer transmitir?

O conto heroico de guerreiros de elite que lutam até a morte em Termópilas para proteger uma democracia antiga e deter um enorme exército de escravos tem quatro grandes falhas. As pessoas que se imaginam herdeiras de suas tradições geralmente ignoram isso.

  1. Eles perderam. É uma derrota “heroica e gloriosa” incrivelmente romântica, eu admito, mas eles ainda perderam, em parte porque sua obsessão em criar soldados perfeitos os impedia de conseguir produzir um número suficiente de guerreiros que fossem “bons o suficiente”.
  2. Alianças permitiram seu sucesso. Você se lembra do conto romântico e heroico da batalha dos 700 Téspios e 400 Tebanos? Provavelmente não. Eles são esquecidos na versão distorcida de Hollywood da história, mas a batalha teria sido muito diferente, não fosse pelas contribuições de outras Cidades Estado Gregas que lutaram ao lado dos Espartanos.
  3. O terreno minimizou as falhas em seu treinamento e tática. O estreito desfiladeiro em Termópilas permitiu aos Espartanos lutarem em uma falange, posicionados em fileiras enfrentando diretamente seus inimigos. Os espartanos acreditavam que isso era, não só taticamente, mas moralmente superior. Sua obediência cega a essa doutrina foi sua ruína quando as circunstâncias não os favoreceram.
  4. Eles não tinham cultura além da guerra. Vamos ser honestos, matar bebês que não parecem ter um grande potencial como guerreiros é uma declaração dramática de valores culturais, mas isso não leva a avanços na ciência, na agricultura ou nas artes. Todos os quais são também necessários para uma cultura atingir o máximo potencial militar. Isso também levou Esparta a se entregar à tirania às vezes.

A palavra espartano, tomada separadamente de um contexto militar, passou a significar básico, utilitarista. Nos tempos antigos, a palavra era mais pejorativa, com uma conotação de estupidez e grosseria. A palavra Téspio passou a significar artístico e sensível. Nas Termópilas, os 700 Téspios lutaram tão bravamente quanto qualquer outra força. Eles eram um povo que equilibrava a necessidade de autodefesa e o desenvolvimento cultural.

Nos anos que se seguiram à Batalha das Termópilas, seus antigos aliados, os Tebanos, acabaram com a supremacia Espartana na Batalha de Leuctra, usando planejamento e táticas superiores e explorando a insistência Espartana em permanecer estupidamente em falanges. As Legiões Romanas, baseadas em armas combinadas, flexibilidade e inovação, também dizimavam as formações Espartanas. Esparta se recusou a se juntar ao exército de Alexandre o Grande porque eles não teriam o papel principal, e não participaram da vitória histórica contra os Persas. Eles podem ter tido algumas grandes batalhas, mas nunca chegaram perto de dominar a gama de habilidades necessárias para estabelecer um império.

Então, da próxima vez que você vir um cara de meia idade, barbudo, gordinho, vestido como o Rambo, cheio de patches, velcros, camisas e “equipamento de operador” enfeitados com insígnias do capacete Espartano, pergunte-se: que mensagem ele realmente quer transmitir?

As Cidades Estado Gregas foram as primeiras democracias do mundo. Elas floresceram quando trabalharam juntas para enfrentar inimigos comuns e caíram quando se voltaram umas contra as outras. Elas deram origem a avanços espetaculares nas ciências, artes e cultura.

Guerreiros como os espartanos têm seu lugar. Eles se destacam quando é necessário lutar até a morte, em uma situação em que não há possibilidade de manobra, apenas armas simples são usadas e nenhuma estratégia de longo prazo é necessária.

Mas vivemos em uma era de ameaças complexas, persistentes e em evolução, e nos beneficiamos com o desenvolvimento de tecnologia avançada, táticas inovadoras e formação de parcerias estratégicas.

É uma pena que ninguém tenha inventado um patch tático dos Téspios.

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Este artigo foi publicado originalmente por Law Enforcement Today e foi traduzido e adaptado pelo Parabellum  (www.SejaParabellum.com.br)

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