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QUER SE SENTIR COMO UM HOMEM? ENTÃO AJA COMO UM.

Uma coisa que notamos atualmente é que muitos homens crescidos simplesmente não se sentem como homens. Eu não estou falando sobre “sentir-se como um homem” no sentido caricatural e hiper-masculinizado. Em vez disso, estou falando sobre “sentir-se como um homem” no sentido daquela confiança que vem da passagem da infância para a masculinidade adulta.

Muitos dos caras com quem conversamos (particularmente os de 20 e 30 anos) confessam que ainda se sentem como um adolescente preso no corpo deum homem adulto. Por não se sentirem homens adultos, muitos desses jovens estão adiando responsabilidades adultas como carreira, família e envolvimento cívico até que possam olhar para si mesmos no espelho e dizer: “Eu sou um homem”. Enquanto isso, esses jovens vagam inseguros pela vida, imaginando quando finalmente começarão a se sentir como homens adultos.

Algumas das causas pelas quais os jovens de hoje estão lutando com a transição da infância para a masculinidade adulta são: falta de um rito de passagem e de mentores masculinos positivos, uma definição capenga de masculinidade e mudanças sociológicas e econômicas, mas essas são apenas algumas das causas.

Vou Agir Como Um Quando Me Sentir Como Um 

Embora todas essas coisas certamente tenham contribuído para o estado enfraquecido da masculinidade moderna, um problema subjacente é que os jovens hoje estão simplesmente seguindo o senso comum e moderno de como uma pessoa “se torna” quem ela quer ser.

O senso comum nos diz que antes de fazer algo, primeiro precisamos sentir vontade de fazer ou nos sentir o tipo de pessoa que faria esse tipo de coisa. E para sentir vontade de fazer alguma coisa, você precisa estar coma mentalidade certa, “encontrar a si mesmo” ou descobrir sua “profunda verdade interior”.

Então, homens jovens seguindo o senso comum vagam pela vida esperando até que se sintam como um homem antes de ocuparem seu lugar no círculo dos homens. Eles acreditam que em algum momento mágico no futuro, eles se sentirão como um homem adulto, e uma vez que isso aconteça, eles finalmente terão a motivação para começar a fazer coisas de homens adultos. Ou então eles leem livros, meditam sobre a masculinidade e participam de palestras, esperando que eles comecem a se sentir como um homem através da análise da masculinidade. Mas eles não parecem fazer muito progresso. Claro, eles têm seus momentos de inspiração, mas quando a palestra ou o livro termina, eles voltam a se sentir inseguros sobre seu status como homens.

Mas o problema com ao senso comum sobre como uma pessoa “se torna alguém” é que ele simplesmente não funciona. Pelo menos não muito bem. Nove em cada dez vezes você não começará magicamente a se sentir como um homem simplesmente pensando em se tornar um homem. Então, como você pode começara se sentir como o homem que você sempre quis ser? Seguindo o conselho dado por filósofos antigos e psicólogos modernos: para se sentir como um homem, você tem que agir como um homem.

Sabedoria Antiga e Moderna Sobre se Tornar Alguém

Várias culturas e religiões antigas ensinaram que o caminho para acrença e a identidade pessoal não se dava através da contemplação, mas sim da ação. Eles entenderam o poder que nossas ações externas têm em nossa personalidade.

De acordo com a Torá, quando Moisés ficou no topo do Monte Sinai e apresentou ao seu povo as tábuas de pedra com a Lei de Jeová inscrita sobre elas, os hebreus falaram em uníssono “na’aseh v’nishma ”, que significa nós faremos e compreenderemos”. Basicamente, os Hebreus concordaram que viveriam primeiro a Lei, na esperança de que, vivendo a lei, acabariam por entendê-la. Hoje, essa declaração representa o compromisso de uma pessoa judia de viver toda a Lei de Moisés, mesmo que não compreenda completamente as razões por trás de cada mandamento. Os rabinos modernos ensinam que na’aseh v’nishma é como se entende Deus e as Suas leis para o homem. Vivendo as ordenanças exteriores, uma mudança acontece no interior.

O filósofo grego Aristóteles ensinou algo semelhante ao na’asehv’nishma em sua Ética a Nicômaco. Na Ética a Nicômaco, Aristóteles expõe sua idéia da “Boa Vida” e como obtê-la. Para Aristóteles, a Boa Vida significava viver uma vida de virtude. Ao contrário de alguns filósofos gregos que acreditavam que a vida virtuosa vinha apenas do pensamento sobre as virtudes, Aristóteles acreditava que a compreensão não era suficiente. Para se tornar virtuoso, você tinha que agir virtuosamente.

“Com as virtudes dá-se exatamente o oposto: adquirimo-las pelo exercício, como também sucede com as artes. Com efeito, as coisas que temos de aprender antes de poder fazê-las, aprendemo-las fazendo; por exemplo, os homens tornam-se arquitetos construindo e tocadores de lira tangendo esse instrumento. Da mesma forma, tornamo-nos justos praticando atos justos, e assim com a temperança, a bravura, etc.”


As virtudes não vêm simplesmente pensando nelas. Você tem que “exercê-las”. A promessa de Aristóteles é esta: se você quer uma virtude, aja como se já a tivesse e então será sua. Mudança vem através da ação. Aja primeiro, então torne-se.

O patrono da masculinidade, Theodore Roosevelt, também viveu este princípio de agir para se tornar. Ele disse:

“Havia todos os tipos de coisas que eu tinha medo no começo, variando de ursos-pardos a cavalos bravos e pistoleiros; mas agindo como se eu não tivesse medo, gradualmente deixei de ter medo.”

Theodore queria ser destemido, embora ele não fosse. Em vez de ficar sentado e pensar na coragem, Roosevelt se colocou em situações perigosas e desconfortáveis e agiuc orajosamente. Por fim, ele se tornou o homem que liderou a investida em San Juan Hill e viajou por um rio inexplorado na Amazônia. Ele agiu para se tornar o homem que ele queria ser.

Os psicólogos modernos têm uma teoria sobre por que agir para se tornar é uma maneira tão eficaz de mudar quem você é e como se sente sobre si mesmo: a dissonância cognitiva. Quando há um conflito entre sua autopercepção e como você está realmente se comportando, você experimenta dissonância ou tensão, e seu cérebro se move para fechar a lacuna, mudando a forma como você se sente em relação a si mesma para combinar com como você está agindo.

Em seu livro “A Década Definitiva: Por que os seus vinte anos importam e como aproveitá-los ao máximo agora”, a psicóloga Meg Jay relata uma situação que passou com um cliente masculino de 27 anos chamado Sam, que esteve à deriva durante a maior parte de sua vida adulta enquanto morava no porão de seus pais:

“É estranho”, disse Sam. “Quanto mais velho fico, menos me sinto como um homem.”

“Eu não tenho certeza se você está se esforçando muito para se sentir como um homem”, eu respondi.

Sam via tudo ao contrário. Do jeito que ele via, ele não poderia se juntar ao mundo até que ele se sentisse como um homem, mas ele não se sentiria como um homem até se juntar ao mundo.

Dr. Jay continua a compartilhar como a atitude de Sam sobre si mesmo começou a mudar quando ele começou a fazer coisas de homem adulto, como iniciar uma carreira, estabelecer um relacionamento romântico comprometido e sair do porão de seus pais para seu próprio lugar. Sam começou a agir como um homem e consequentemente ele começou a se sentir como um. Ele se deu algo para se sentir como um homem.

Aqui está a moral da história: se você não se sente como um homem, você simplesmente precisa começar a se comportar como o homem que você quer se tornar e, eventualmente, você começará a sentir como se fosse esse homem. Aja como se fosse. Finja até conseguir ser. Seu cérebro acabará por alinhar sua atitude /crença sobre si mesmo com o seu novo comportamento.

Seu Guia de Como Agir Como um Homem Para se Sentir Como um Homem

Se você está pronto para começar a se sentir como o homem que você sempre quis ser, hoje é o dia em que você começa a jornada. Como em qualquer jornada, é bom ter um guia:

  1. Por favor, não entenda mal. Não estou dizendo que contemplar a masculinidade é uma perda de tempo. Longe disso. Contemplar a masculinidade e a hombridade é um passo essencial para se tornar um homem honrado. Não é suficiente saber que você precisa agir, você também precisa saber quais ações tomar. O que devemos começar a fazer? Onde esperamos que nossas ações nos levem? Então comece pelo final. Que tipo de homem você quer se tornar? Talvez você tenha um herói pessoal ou um avô ou um mentor que personifique sua versão ideal da masculinidade. Uma vez que você saiba que tipo de homem você quer ser, estude e contemple como esse tipo de homem viveria sua vida. O que ele faria ao enfrentar a adversidade? Como seria sua rotina diária? Como ele se vestiria? Como ele trata sua esposa ou namorada? Forme um Gabinete de Conselheiros Invisíveis para guiá-lo em sua jornada.
  2. Comece a fazer as coisas que esse tipo de homem faria. Mesmo que você não se sinta como ele. Uma vez que você saiba que tipo de coisas seu homem ideal faria, comece a fazê-las, e aqui está a parte mais importante, faça-as mesmo que você não se sinta como ele. Algumas das coisas que você terá que fazer serão difíceis, algumas podem fazer você se sentir desconfortável, e algumas delas farão com que você se sinta como um falso. Ignore esses sentimentos. Saiba que, com o tempo, suas novas ações masculinas transformarão a maneira como você se sente em relação a si mesmo. Você começará a se ver como um homem.
  3.  “Virile agitur” para o resto da sua vida. Mesmo quando você passa por um rito de passagem que realmente transforma você e coloca você no caminho certo, você não pode descansar em seus louros. Tornar-se homem não é uma decisão ou evento de uma só vez: é algo que você tem que escolher todos os dias. É como se barbear; só porque você faz isso uma vez não significa que está feito; você ainda tem que acordar e fazer de novo pela manhã. Virile agitur é uma frase latina que significa: “A coisa masculina está sendo feita ”. Está sendo feito. Sempre e para sempre em andamento. Tome isso como seu lema para a masculinidade.

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Este artigo foi publicado originalmente por The Art of Manliness e foi traduzido e adaptado pelo Parabellum  (www.SejaParabellum.com.br)

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